quinta-feira, 23 de março de 2017

REGIONALIZAÇÃO DO ESPAÇO ( CAPÍTULOS 1 E 2 )

 REGIONALIZAÇÃO DO ESPAÇO

1- O MUNDO DIVIDIDO: PAÍSES CAPITALISTAS E SOCIALISTAS

1.1 – FASES DO CAPITALISMO

O Capitalismo Comercial

Essa etapa do capitalismo estendeu-se desde fins do século XV até o século XVIII. Foi marcada pela
expansão marítima das potências da Europa Ocidental na época (Portugal e Espanha).
O grande acúmulo de capitais se dava na esfera da circulação, ou seja, por meio do comércio, daí o
termo capitalismo comercial para designar o período. A economia funcionava segundo a doutrina mercantilista, que, em sentido amplo, pregava a intervenção governamental na economia, a fim de promover a prosperidade nacional e aumentar o poder do Estado. Nesse sentido, defendia a necessidade de riquezas no interior dos Estados, e a riqueza e o poder de um país eram medidos pela quantidade de metais preciosos (ouro e prata)que possuíam. Esse princípio ficou conhecido como metalismo.
Outro meio de acumular riquezas era manter uma balança comercial sempre favorável, daí o esforço
para exportar mais do que importar, garantindo saldos comerciais positivos.
O mercantilismo foi fundamental para o desenvolvimento do capitalismo, pois permitiu, como resultado de um comércio altamente lucrativo, das explorações das colônias e da pirataria, grande acúmulo de capitais nas mãos da burguesia européia. Karl Marx designou essa fase como a da acumulação primitiva do capital.

O Capitalismo Industrial

O capitalismo industrial foi marcado por grandes transformações econômicas, sociais, políticas e
culturais. As maiores mudanças resultam do que se convencionou chamar Revolução Industrial (estamos nos referindo aqui à Primeira Revolução Industrial, ocorrida no Reino Unido na segunda metade do século XVIII).
Um de seus aspectos mais importantes foi a enorme potencialização da capacidade de transformação da natureza, por meio da utilização cada vez mais disseminada de máquinas movidas a vapor, tornando acessível aos consumidores uma quantidade cada vez maior de produtos, o que multiplicava os lucros dos produtores.
O comércio não era mais a essência do sistema. O lucro – objetivo dessa nova fase do capitalismo –
advinha fundamentalmente da produção de mercadorias.
A toda jornada de trabalho corresponde uma remuneração, que permitirá a subsistência do trabalhador. No entanto, o trabalhador produz um valor maior do que aquele que recebe na forma de salário, e essa fatia de trabalho não-pago é apropriada pelos donos das fábricas, das fazendas, das minas, etc. Dessa forma, todo produto ou serviço vendido traz embutido esse valor não transferido ao trabalhador, permitindo o acúmulo de lucro pelos capitalistas.
Se no mercantilismo (fase comercial), o Estado absolutista era favorável aos interesses da burguesia
comercial, no tocante a atuação da nova burguesia industrial, ou capitalista, era um empecilho. Ele não deveria intervir na economia, que funcionaria segundo a lógica do mercado, guiada pela livre concorrência.
Consolidava-se, assim, uma nova doutrina econômica: o liberalismo. Dentro das fábricas, mudanças importantes estavam acontecendo: a produtividade e a capacidade de produção aumentavam velozmente; aprofundava-se a divisão de trabalho e crescia a produção em série. Nessa
época, segunda metade do século XIX, estava ocorrendo o que se convencionou chamar de Segunda
Revolução Industrial. Uma das características mais importantes desse período foi a introdução de novas tecnologias e novas fontes de energia no processo produtivo.
Com o brutal aumento da produção, pois a industrialização expandia-se para outros países, acirrou-se
cada vez mais a concorrência. Era cada vez maior a necessidade de garantirem novos mercados
consumidores, novas fontes de matérias-primas e novas áreas para investimentos lucrativos. Foi dentro desse quadro que ocorreu a expansão imperialista na Ásia e na África.
A partilha imperialista das potências industriais consolidou a divisão internacional do trabalho, pela
qual as colônias se especializavam em fornecer matérias-primas baratas para os países que então se
industrializavam. Tal divisão, delineada no capitalismo comercial, consolidou-se na fase do capitalismo industrial. Assim, estruturou-se nas colônias uma economia complementar e subordinada à das potências imperialistas.
A Alemanha, por ter se unificado tardiamente (1871), perdeu a fase mais importante da corrida
imperialista e sentiu-se lesada, especialmente frente ao Reino Unido e à França. Além disso, como a sua indústria crescia em ritmo mais rápido que a dos demais países, também se ressentia mais da falta de mercados consumidores. O choque de interesses internos e externos entre as potências imperialistas europeias acabou levando o mundo à Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

O Capitalismo Financeiro

Uma das consequências mais importantes do crescimento acelerado da economia capitalista foi o brutal processo de concentração e centralização de capitais. Várias empresas surgiram e cresceram rapidamente: indústrias, bancos, corretoras de valores, casas comerciais, etc. A acirrada concorrência favoreceu as grandes empresas, levando a fusões e incorporações que resultaram, a partir de fins do século XIX, na monopolização ou oligopolização de muitos setores da economia.
O liberalismo restringe-se cada vez mais ao plano da ideologia, pois o mercado passa a ser
oligopolizado, dominado por grandes corporações, substituindo a livre concorrência e o livre mercado. O Estado, por sua vez, passa a intervir na economia, seja como agente produtor ou empresário. Essa atuação do Estado na economia intensificou-se após a crise de 1929, que viria a sepultar definitivamente o liberalismo
clássico.

Patria Latina

A crise de 1929 deveu-se ao excesso de produção industrial e agrícola, pois os baixos salários pagos
na época impediam a expansão do mercado de consumo interno; à recuperação da indústria européia, que passou a importar menos dos Estados Unidos; e à exagerada especulação com ações na bolsa de valores.
Colocando em prática em 1933, pelo então presidente Franklin Roosevelt, o New Deal (“novo acordo”) foi um clássico exemplo de intervenção do Estado na economia. Baseado em um audacioso plano de obras  públicas, com o objetivo principal de acabar com o desemprego, o New Deal foi fundamental para a recuperação da economia norte-americana.
Essa política de intervenção estatal numa economia oligopolizada, que acaba favorecendo o grande
capital, ficou conhecida como Keynesianismo, por ter sido o economista inglês John Maynard Keynes seu principal teórico e defensor.

1.2 - CARACTERÍSTICAS DO CAPITALISMO

 Propriedade Privada dos meios de produção – Os meios de produção (bancos, supermercados,
lojas,...) pertencem predominantemente a uma pessoa ou a um grupo de pessoas.
 Economia de Mercado – São as empresas que decidem como e quanto produzir e estabelecem o
preço e as condições de circulação das mercadorias.
 Lei da Oferta e da Procura – Os preços das mercadorias variam de acordo com a procura por parte do consumidor e a quantidade do produto em oferta, isto é, colocada à venda.
 Trabalho Assalariado – O trabalhador recebe um salário por seu trabalho, havendo concentração de
renda, principalmente nos países mais pobres.
 Neoliberalismo – Doutrina econômica que, especialmente nas duas últimas décadas, retomou vários preceitos do liberalismo clássico. Um dos pontos principais do neoliberalismo é a idéia do Estado mínimo, isto é, o governo deveria ter sua atuação restrita ao campo social (destinando o mínimo de recursos à saúde, educação e previdência, por exemplo), além de não interferir no processo econômico, que seria regulado exclusivamente pelas leis de mercado.

1.3 – ORGANIZAÇÃO DAS EMPRESAS NO SISTEMA CAPITALISTA

 Monopólio – Situação em que há uma única empresa fornecedora de determinado produto, que
controla sua oferta e seu preço.
 Oligopólio – Grupo constituído por um pequeno número de empresas que controlam os preços de um produto.
 Cartel – Associação ou combinação entre empresas, geralmente de um mesmo segmento, para
garantir o controle da produção e dos preços.
 Truste – fusões e incorporações entre empresas que realizam uma mesma atividade com o intuito de garantir o domínio do mercado.
 Holding – Uma empresa que detém o controle de diversas outras empresas, que atuam em diferentes ramos de atividades. As holding são grandes corporações que podem produzir desde canetas a aparelhos eletrônicos, carros e aviões.

1.4 – SISTEMA SOCIALISTA

 Estatização – As terras e os meios de produção devem pertencer ao Estado, que também passa a
controlar e a definir o salário dos trabalhadores.
 Economia Planificada – As atividades econômicas devem seguir uma planificação idealizada e
executada pelo Estado, que decide o que e como produzir.
 Pleno emprego – Para executar suas várias funções e diminuir as desigualdades sociais, o Estado cria um imenso quadro de funcionários, garantindo emprego a todos.
 Relação Social – O objetivo é eliminar as diferenças sociais, gerando uma melhor distribuição da
renda.

1.5 – GUERRA FRIA

mundo na forca - blogger
 Ordem Bipolar – Por serem superpotências econômicas e militares, EUA e URSS influenciavam outras nações, que a eles se aliaram na formação dos dois grandes blocos que polarizaram a economia e a sociedade do pós - segunda guerra. Essa situação perdurou até a década de 1990.
 Muro de Berlim – Em 1949, como conseqüência da bipolarização, os países da Europa alinharam-se em dois blocos: a Europa Ocidental capitalista, sob a influencia dos EUA, e a Europa Oriental socialista, sob a influência da URSS e em 1961 foi construído o muro de Berlim.
A partir de 1990, praticamente todos os países do bloco socialista passaram a adotar o capitalismo.
Atualmente, praticamente somente China, Cuba e Coréia do Norte continuam socialistas, embora incluam em sua economia algumas características do capitalismo.
Com o fim da União Soviética em 1991 e a conseqüente dissolução do socialismo, os Estados Unidos
viram-se transformados em “vencedores” da Guerra Fria, assumindo o papel de grande potência mundial.
Porém, apesar do grande poderio norte-americano, Japão e Alemanha (reunificada) também apareciam como polos da economia mundial, formando uma nova era multipolar, em detrimento da bipolaridade outrora existente. Desta forma, temos o mundo sob a influência de três grandes pólos, os EUA, o Japão e a Europa, representada pela União Européia, tendo Alemanha, França e Reino Unido como sustentáculos econômicos.

O FIM DA GUERRA FRIA

Muito se discute sobre uma possível data que marque o fim da Guerra Fria, o fato é que uma série de
acontecimentos desencadearam a dissolução do conflito Leste x Oeste. A falta de democracia, o atraso econômico e a crise nas repúblicas soviéticas acabaram por acelerar a crise do socialismo no final da década de 1980. Em 1989 cai o Muro de Berlim e as duas Alemanhas são reunificadas. No começo da década de 1990, o então presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev começou a acelerar o fim do socialismo naquele país e nos aliados. Com reformas econômicas, acordos com os EUA e mudanças políticas, o sistema foi se enfraquecendo. Era o fim de um período de embates políticos, ideológicos e militares. O capitalismo vitorioso, aos poucos, iria sendo implantado nos países socialistas. Os Estados Unidos assumiram o papel de única superpotência, os conflitos étnicos e nacionais ressurgiram com força total, e o poder não é mais de quem tem armas mais poderosas, mas de quem tem a economia mais forte. Veremos a seguir alguns fatores responsáveis pelo fim da bipolaridade mundial.

A crise da URSS

A economia soviética teve um considerável sucesso no período em que o mundo guiava-se pelos
padrões tecnológicos estabelecidos pela II Revolução Industrial (industrias de siderurgia, química, petrolífera,  aeronáutica, naval, etc). Isto colocou a URSS em igualdade com as economias capitalistas e em alguns momentos à frente, como o lançamento do primeiro satélite Sputnik I, em 1957, e o primeiro homem em órbita ao redor da Terra, Iúri Gagárin, em 1961.
Guiados pelo padrão tecnológico da II Revolução Industrial, a URSS priorizou indústrias de bens de
produção e de capital, com grande prioridade para a indústria bélica. Isto porém virou um problema na medida em que as indústrias de bens de produção não possuíam os devidos investimentos, gerando um grande descompasso econômico, com produções excessivas de ferro e aço de um lado, e a carência de eletrodomésticos e automóveis de outro. O quadro crítico acentua-se a partir da década de 1970, com a chamada Terceira Revolução Industrial, que demanda altos investimentos em pesquisa e tecnologia favorecendo o crescimento de setores como a informática e a robótica (estes exigem uma economia mais dinâmica, baseada numa economia de mercado).
A URSS começa a se defasar econômica e tecnologicamente em meados de 1970, sendo reconhecida
apenas por seu poderio militar, seu arsenal nuclear e sua capacidade de destruição em massa. Graças a seu baixo dinamismo econômico, sua produtividade industrial não acompanhava nem de longe os avanços dos países capitalistas desenvolvidos mais competitivos. Seu parque industrial, sucateado, era incapaz de produzir bens de consumo em quantidade e qualidade suficientes para abastecer a própria população. As filas intermináveis eram parte do cotidiano dos soviéticos e o descontentamento se generalizava. A situação agravasse nos anos 80, com o governo norte-americano de Ronald Reagan, que aumentou os orçamentos com defesa. Como a União Soviética não tinha mais condições de continuar com a corrida armamentista, os acordos de paz entre as duas superpotências tornaram-se necessários. Foi com essa missão que Gorbachev chegou, em 1985, à liderança daURSS.
A era Gorbachev (1985-1991) e o fim da União Soviética
Sua plataforma política defendia a necessidade de reformar a União Soviética, para que ela se
adequasse à realidade mundial. Em seu governo, uma nova geração de políticos se firmou, e impulsionou a dinâmica de reformas na URSS e a aproximação diplomática com o mundo ocidental.
Dentre as reformas propostas por Gorbachev, temos a Perestroika e a Glasnost:
- Perestroika (reestruturação): série de medidas de reforma econômicas. Para Gorbatchov, não seria
necessário erradicar o sistema socialista, mas uma reformulação deste seria inevitável. Para tanto, ele passou a diminuir o orçamento militar da União Soviética, o que implicou em diminuição de armamentos. Além disso, era preciso acabar com a ditadura, desmontando o aparelho repressor erigido na era Stálin.
- Glasnost (transparência) : visava a "liberdade de expressão" à imprensa soviética e a transparência do governo para a população, permitindo o pluripartidarismo e retirando a forte censura que o governo comunista impunha. Esta abertura política desencadeou uma série de movimentos separatistas na URSS, levando à sua completa fragmentação política.
Gorbachev sofreu um golpe de Estado, liderado pelos comunistas conservadores, porém, o golpe
fracassou e Mikhail foi reconduzido ao poder com o apoio de Boris Yeltsin. No entanto, o poder central se enfraqueceu, visto que as repúblicas – uma a uma – proclamavam sua independência política. A cartada final ocorreu em dezembro de 1991, quando a própria Rússia, sustentáculo da União Soviética, proclamou a sua independência. Com o fim da União Soviética um novo acordo foi firmado (acordo de Minsk), originando a CEI (Comunidade dos Estados Independentes), composto pelas antigas repúblicas soviéticas, exceto Estônia, Letônia e Lituânia. Boris Yeltsin foi eleito o novo presidente, renunciando em dezembro de 1999. Em seu lugar, Vladimir Putin foi eleito em março de 2000.
Hoje a Rússia sofre graves problemas com desemprego e baixo crescimento econômico, resultados da
tumultuada transição do socialismo para o capitalismo. O PIB só veio a crescer significativamente a partir de 1999. Um dos grandes problemas enfrentados hoje é o grande número de movimentos separatistas dentro de seu território.

O LESTE EUROPEU

Durante toda a Guerra Fria, a região do Leste europeu fez parte do chamado 2° mundo, sendo controlada pela URSS através do Pacto de Varsóvia. Com as políticas reformistas de Gorbachev e o fim da URSS, as frentes de independência se tornaram mais fortes nessa região, fazendo com que os países aderissem ao capitalismo e reorganizassem a sua economia e política. Os países integrantes* do Leste Europeu eram/são:
- Pôlonia
- Alemanha Oriental (hoje reunificada)
- Tchecoslováquia (hoje dividida em repúblicas Tcheca e Eslováquia)
- Hungria
- Romênia
- Bulgária
- Albânia**
- Iugoslávia** (hoje dividida em Sérvia, Montenegro, Eslovênia, Croácia, Bósnia-Herzegovina e
Macedônia)
* Estes países formavam um bloco fechado na Europa, limitado pela “Cortina de Ferro”.
** Apesar da Albânia e Iugoslávia não estabelecerem relações diretas com Moscou, o regime socialista ditatorial era presente em ambos.
Polônia e Hungria
Na Polônia, a abertura política começou com a legalização do Solidariedade (sindicato político fundado em 1980 que defendia a liberdade de expressão dos trabalhadores) em 1989. No mesmo ano, a URSS começava a retirar do Leste europeu suas tropas do pacto de Varsóvia. Sem a pressão militar dos soviéticos, as medidas liberais ganharam força, não só na Polônia como em outros países da região. Além disso, restabeleceram a ligação religiosa com o Vaticano e a liberdade religiosa.
A Hungria também iniciou suas reformas em janeiro de 1989, quando o parlamento aprovou a lei que
permite o pluripartidarismo. O país tornou-se uma democracia e passou a se chamar República da Hungria.
Alemanha Oriental
Em 9 de novembro de 1989, a conselho de Gorbachev, o governo anunciou a livre passagem dos
alemães da parte oriental para a ocidental., levando a própria população à iniciativa de derrubar o muro de Berlim. Em 1990, Lothar de Maiziere, primeiro-ministro da Alemanha oriental, negociou a unificação das duas Alemanhas com Helmut Kohl, que governava a Alemanha ocidental. A República Democrática Alemã não existia mais. Em 3 de outubro de 1990, a Alemanha estava reunificada.
Tchecoslováquia e Bulgária
Em 1° de janeiro de 1993, a Tchecoslováquia se dividiu, de forma pacífica, dando origem a dois
países diferentes: na sua porção menos desenvolvida, formou-se a Eslováquia; e na sua parte mais
desenvolvida e industrializada, a República Tcheca, destaque na produção de automóveis e cerveja.
Na Bulgária a transição também aconteceu de forma pacífica. O pluripartidarismo foi admitido em 1988 e as reformas passaram a acontecer com o fim do Partido Comunista. Em 1990, passou a ser denominado República da Bulgária.
Romênia
Na Romênia, as reformas aconteceram lentamente. Com uma economia superada, a Romênia tem
aproveitado a entrada do capital estrangeiro, nos últimos anos, para melhorar sua situação econômica e tentar se reerguer.
ex-Iugoslávia
O desmembramento da Iugoslávia deu origem a novos países: União da Sérvia e Montenegro,
Eslovênia, Croácia, Bósnia-Herzegovina e Macedônia. A separação do país foi marcada por sangrentos conflitos. Atualmente ocorreu a separação da Sérvia e Montenegro, em maio de 2006
Albânia
Foi o último Estado do Leste Europeu a implementar reformas. Encerrou sua fase socialista com altos
níveis de pobreza. Foi aliado da URSS até 1961, para posteriormente aliar-se à China até 1978. Depois das relações cortadas com a China, o país fechou-se num regime altamente autoritário e isolado, fiel à doutrina stalinista. Esta situação de instabilidade deixou o país extremamente despreparado para a transição econômica. Sem rumo, o governo albanês procura administrar os mecanismos do novo regime, ao mesmo tempo em que tenta encontrar soluções para os eternos problemas de miséria e desemprego.
O presidente George Bush (1989-1992) chamou de Nova Ordem Mundial. O que deixava de existir era a velha ordem bipolar e a rivalidade entre sistemas econômicos opostos que buscavam competir usando a capacidade militar. O mundo passava a funcionar sob a égide do capitalismo. A multipolaridade econômica não mudou significativamente a distribuição da riqueza no mundo. Os países ricos continuam ricos. E os pobres (exterceiro mundo) continuam pobres. A corrida armamentista perdeu força e a prioridade passou a ser a busca  por novos mercados e crescimento do capitalismo. Esta nova fase passou a ser chamada de Globalização, com
um crescente fluxo de informações, mercadorias, capital, serviços e pessoas em escala global. As redes que ordenam este fluxo podem ser materiais e virtuais, transformando o mundo em uma espécie de aldeia global.

2- OS TRÊS MUNDOS

Durante o período da Guerra Fria também era comum regionalizar o espaço mundial em “três mundos”.
 Primeiro Mundo – Constituído pelos países capitalistas desenvolvidos, como EUA, Reino Unido,
França, etc.
 Segundo Mundo – Formado pelos países socialistas, como China, URSS, Polônia, Hungria, etc.
 Terceiro Mundo – Constituído por um conjunto muito heterogêneo de países subdesenvolvidos
(pobres), como Brasil, Marrocos, Egito, etc.

3- REGIONALIZAÇÃO PELO NÍVEL DE DESENVOLVIMENTO

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DOS PAÍSES DESENVOLVIDOS

 Elevado padrão de vida da maior parcela da população.
 Dominação econômica, tecnológica e política sobre países subdesenvolvidos.
 Desenvolvimento industrial e tecnológico.
 Os setores secundários e terciários abrigam a maior parte da PEA.
 Elevados investimentos em educação e em ciência.
 Baixo índice de mortalidade infantil e de analfabetismo.
 Ingestão de calorias diárias muito acima do mínimo recomendado.
 Predomínio de população urbana.
 Expectativa de vida além dos setenta anos.
 Acesso aos benefícios sociais à maioria da população.
 Emprego predominante de técnicas modernas, de máquinas e mão-de-obra qualificada no campo.
 Modernos e eficientes meios de comunicação e de transportes.
 A maior parte da população pertence à classe média e tem elevado padrão de vida e de consumo.

PAÍSES SUBDESENVOLVIDOS

Quando, a partir da Segunda guerra Mundial, se começou a falar correntemente do
‘subdesenvolvimento’ (era, soube-se muito mais tarde, a tradução do termo under-development que os políticos americanos tinham fabricado), através disso foi possível saber que três quartos da humanidade sofriam de fome e atrair a atenção sobre o fato de que a população dos países pobres seria mais que o dobro nos trinta anos seguintes...
(LACOSTE, Yves. Geografia do Subdesenvolvimento: geopolítica de uma crise. 1985:31)
Apesar de só começar a ser discutido após a segunda guerra mundial e de ser um termo originado por
políticos norte-americanos, podemos dizer que as origens do subdesenvolvimento estão no longo período de dominação política e econômica e no tipo de relação estabelecida entre colônia e metrópole, durante a existência dos grandes impérios coloniais. Esses grandes impérios surgidos nos períodos denominados colonialismo (séc. XV a XVIII) e imperialismo (séc. XIX) refletiam o poder de antigas potências mercantilistas (Portugal e Espanha) e de potências da Revolução Industrial (França, Inglaterra e Holanda).
O fato de se tornarem independentes não garante às ex-colônias o desenvolvimento. Junto à sua
independência somam-se os problemas decorrentes de sua antiga relação com as metrópoles além da sua própria incapacidade de administrar o próprio destino. Governos ditatoriais, submissão aos interesses de empresas transnacionais, corrupção, conflitos étnicos e dívida externa são outros agravantes da situação de pobreza já existente nesses países.

Apesar das diferenças entre os próprios países subdesenvolvidos, algumas características se fazem comuns:
 Má distribuição de renda.
 Dependência econômica, política, tecnológica e até mesmo cultural em relação aos países
desenvolvidos.
 Economia primário-exportadora (países pouco industrializados).
 Os setores primário e terciário da economia e o mercado informal abrigam a maior parte da população empregada.
 Altos índices de analfabetismo, de mortalidade e de natalidade e elevado crescimento populacional.
 Ingestão de calorias diárias abaixo do mínimo recomendado.
 Alto índice de pessoas vivendo em sub-moradias.
 Dividas externas impagáveis.
 Proliferação de grandes centros urbanos sem infra-estrutura.
 Concentração de renda.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DOS PAÍSES EMERGENTES

Não existe homogeneidade na classificação dos países subdesenvolvidos. Enquanto alguns ainda
permanecem com as relações econômicas existentes na época colonial, outros se industrializaram e cresceram economicamente. Estes últimos pertencem ao grupo dos Novos Países Industrializados (NICs – New Idustrialized Countries), também chamados de economias emergentes e países capitalistas semi-periféricos. A este grupo pertencem países como Brasil, Argentina, México, Índia, África do Sul e Tigres Asiáticos (Hong Kong, Cingapura, Taiwan e Coréia do Sul).
São paises pobres, industrializados ou em fase de industrialização. Apesar de industrializados, são
dependentes de tecnologia.

4 – CONFRONTO: NORTE / SUL

Na lógica bipolar, era comum classificarmos os países em Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo, além
do constante uso da expressão “conflito Leste x Oeste”. Com a Nova Ordem Mundial, essa classificação já não tem mais sentido. Como o Segundo Mundo, que era formado pelas nações socialistas, não existe mais, os países são classificados em ricos e pobres, ou desenvolvidos e subdesenvolvidos. E o mundo ficou dividido em países do Norte (desenvolvidos) e países do Sul (subdesenvolvidos). Na Nova Ordem, o conflito Leste-Oeste da guerra fria foi substituído pelo conflito Norte-Sul, que opõe entre si as grandes diferenças que separam a riqueza, a tecnologia e o alto nível de vida da pobreza, da exclusão dos novos meios técnico-científicos e dos baixos níveis de vida.

Algumas características desta nova divisão:

- O grande contingente de ex-colônias asiáticas, africanas e americanas (com exceção de Estados
Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia) forma o bloco dos países do Sul. Apesar de terem
características comuns, esses países apresentam profundas diferenças entre si.
- Alguns países se destacam na oferta de oportunidades para investimentos das empresas
transnacionais. São países subdesenvolvidos industrializados ou em fase de industrialização. São os
chamados países emergentes, e o Brasil está entre eles.
- Os antigos países socialistas são chamados hoje de países de economia “em transição”, porque
passam por uma fase de adaptação à economia de mercado. Apenas China*, Cuba, Coréia do Norte,
Vietnã, Líbia e Laos ainda resistem como socialistas.
- A África Subsaariana está à margem da economia global. Seus países sofrem com conflitos tribais,
fome, seca e aids. Além disso, encontram-se na total dependência do FMI e do Banco Mundial. Diante desse estado de miséria, a África não desperta interesse, nem como consumidora nem como opção de investimento de capital especulativo.
* O caso chinês é especial, visto que possui um “socialismo de mercado”, ou seja, uma economia capitalista regida por uma política socialista.
Nota: A oposição ‘Norte’ rico ou desenvolvido e ‘Sul’ pobre ou subdesenvolvido é bastante esquemática. Como classificar os países do Leste Europeu, por exemplo? Eles pertencem ao ‘Norte’ ou ao ‘Sul’? Já a China, pelos aspectos demográfico, econômico e geopolítico e por suas contradições, é inclassificável. Além disso, cada vez mais o ‘Sul’ aparece dentro do ‘Norte’, em consequência do aprofundamento das desigualdades sociais e do aumento da imigração.
MOREIRA e SENE. Geografia Geral e do Brasil, espaço geográfico e globalização. 2005

5- O SISTEMA-MUNDO: CENTRO E PERIFERIA

Uma outra forma de classificação dos países seria a de países centrais e países periféricos. Esta forma
de classificação também surgiu com o fim da Guerra Fria, sendo extremamente conveniente ao sistema capitalista. Ela designa os países como centrais (que se encontram no “centro” do sistema capitalista) e periféricos (o restante, na “periferia” do sistema capitalista). Observe o mapa abaixo:
“Países centrais” é uma expressão usada para designar uma tríade: Estados Unidos, Japão e união Europeia, que comandam o sistema capitalista. O restante do mundo é formado por países de periferia com maior ou menor grau de integração a um dos pólos que compõem o centro do sistema capitalista. Os Estados unidos é o único que influencia o mundo inteiro; os outros países do centro têm uma influência mais regional. Mesmo na periferia há nações com certa influência regional, como é o caso da China, da Índia e do Brasil. A China, aliás, ora é classificada como potência, quando se considera o aspecto geopolítico (Potência militar e membro do conselho de segurança da ONU), ora como país emergente, quando se considera que se trata de um país da periferia, como mostra o mapa, embora muito importante economicamente. Em resumo, nem sempre há consenso na classificação dos países.
MOREIRA e SENE. Geografia Geral e do Brasil, espaço geográfico e globalização. 2005

6- REGIONALIZAÇÃO SEGUNDO IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)

O IDH é um eficiente método para analisar a qualidade de vida de um país, pois não levam em
consideração apenas indicadores econômicos, mas também variáveis como expectativa de vida e educação. As variáveis utilizadas são:
- Expectativa de vida: a esperança de vida ao nascer
- Educação: o conhecimento, medido pela taxa de alfabetização de adultos e pela taxa bruta de
matrículas no ensino fundamental, médio e superior.
- PPC (PIB per capita): a renda distribuída para a população, permitindo um padrão de vida mais
decente.
Estas três variáveis combinadas oscilam entre valores de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, melhor é o
padrão de vida da população, quanto mais próximo de 0, pior.

Fonte : GEOGRAFIA POLÍTICA/2012 PROFESSOR: TIAGO DALESSI

terça-feira, 21 de março de 2017

OPERAÇÃO CARNE FRACA 3.

CONCENTRAÇÃO DE TERRAS

Atlas Agropecuário revela a malha fundiária do Brasil

Uma colaboração entre o Imaflora, o GeoLab da Esalq / USP (Projeto Fapesp 2016/17680-2) e a KTH (Suécia) resultou na criação de uma base de dados georreferenciada da malha fundiária de todo o Brasil. Englobando aproximadamente 6,7 milhões de polígonos, a malha recobre todo o território nacional e, pela primeira vez, oferece aberta e publicamente para a sociedade uma visão do conjunto das terras públicas e dos imóveis privados do país.

A malha fundiária utiliza 20 categorias de bases de dados oficiais incluindo, por exemplo, as áreas protegidas nacionais e estaduais, as bases de imóveis e de assentamentos do INCRA e os polígonos de imóveis do CAR (Cadastro Ambiental Rural), que juntas recobrem 80% do país. Para as áreas sem recobrimento foi realizada uma modelagem complementar que (i) considera essa porção do território como sendo terra privada, (ii) estima os limites dos imóveis rurais a partir dos dados do Censo Agropecuário do IBGE de 2006, (iii) reproduzindo a distribuição de tamanho dos imóveis rurais censitados em cada município ou setor censitário.  A cobertura desta área (20% do território) com uma malha fundiária probabilística é essencial para cobrir territórios desconhecidos e desconsiderados nos levantamentos censitários existentes.

Assim, a malha fundiária disponibilizada apresenta o recobrimento de todo o território nacional, sendo a melhor aproximação a respeito do tamanho, da localização e da distribuição das terras públicas e dos imóveis privados brasileiros e pode ser visualizada e baixada livremente no site do projeto Atlas da Agropecuária Brasileira.

A compilação revela algumas surpresas, como a abrangência das pequenas propriedades (menores que 4 módulos ficais), onde está presente a agricultura familiar. Quando comparada ao Censo Agropecuário de 2006, que ainda é a principal referência nos estudos atuais sobre a agropecuária nacional, encontramos 1 milhão de imóveis a mais nesta categoria. Os números obtidos se aproximam dos registros de ITR disponíveis na base do CAFIR, indicando que, ou por sub amostragem ou pela criação de novos imóveis a partir de 2006, a agricultura familiar é mais importante em número de imóveis do que estima o Censo.

Também revela que as grandes propriedades ocupam área similar à soma de todas as médias e pequenas propriedades (descontando-se as dos assentamentos) e também representam um valor próximo da soma das áreas protegidas do país, entre terras indígenas e áreas de conservação. Também ficam evidentes as assimetrias de distribuição de terras entre os Estados. Enquanto o Rio Grande do Sul tem 2% do território com áreas públicas protegidas, 1% dedicada a assentamentos e 89% ocupada por propriedades privadas; o Amazonas possui 52% da área protegida, 4% em assentamentos, 35% da terra pública ainda não destinada e 6% com terra privada.

Além disso, a malha aponta a existência de 86 milhões de hectares de terras públicas não destinadas, entre terras não tituladas do Programa Terra Legal e Glebas Públicas Federais e Estaduais. A área corresponde à soma dos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Desse total, 98% estão localizados no Bioma Amazônia, principalmente nos estados do Amazonas (62%) e do Pará (15%), justamente em regiões desses estados caracterizadas pelo desmatamento e onde a fronteira agropecuária tem avançado nos últimos anos.

Da forma como foi desenvolvida, à medida que forem surgindo novas bases ou as bases existentes forem atualizadas, é possível gerar atualizações imediatas. Com isto, fica à disposição uma malha fundiária abrangente pela cobertura de todo o território nacional, inclusiva por considerar tanto o domínio público como o privado e que trata automaticamente diversos problemas que inevitavelmente surgem da compilação de grande número de fontes de dados. Outro aspecto importante é o fato desta malha ser disponível e os seus critérios de sobreposição serem abertos, poderem ser discutidos publicamente e isto gerar novas versões aprimoradas da própria malha.

Este é mais um produto do Atlas da Agropecuária Brasileira, um projeto que vem sendo desenvolvido por dois anos pelo Imaflora e pelo GeoLab da Esalq / USP. De acordo com Luís Fernando Guedes Pinto (do Imaflora), “além dos estudos produzidos, em uma página da internet o Atlas organizará e disponibilizará informações secundárias e originais sobre a geografia da agropecuária nacional. Nos próximos meses disponibilizará novas informações como o uso da terra, a aptidão agrícola, a distribuição, produção e produtividade das culturas em séries históricas, além de outras informações ambientais e sociais relevantes para o desenvolvimento rural e a conservação dos recursos naturais, como o desmatamento e o cumprimento do Código Florestal”.

O professor Gerd Sparovek do GeoLab acrescenta que “o Atlas fornecerá informações e análises para uma melhor compreensão da agropecuária brasileira e poderá apoiar decisões e a formulação de políticas públicas e privadas para o setor”.

Resumo da distribuição da terra estimada no Brasil

Categoria fundiária
Área (milhões ha)
Área (%)
Áreas protegidas
232
27%
Terras Públicas Não Destinadas
86
10%
Terras Privadas
453
53%
Pequenas propriedades (<4mf span="">
114
13%
Médias propriedades (entre 4 e 15 MF)
104
12%
Grandes propriedades (>15MF)
234
28%
Assentamentos
40
5%
Outros
38
5%
Brasil
850
100%
*Fora de assentamentos

Resumo da distribuição da terra estimada no Brasil por estado

UF
Área protegida
Não destinada
Terra privada
Assentamento
Outros
Área do Estado (Mha)
AC
46%
19%
25%
10%
1%
17
AL
6%
0%
84%
3%
6%
3
AM
52%
35%
6%
4%
4%
154
AP
68%
13%
7%
9%
3%
13
BA
7%
0%
87%
3%
4%
56
CE
5%
0%
83%
6%
6%
15
DF
61%
8%
13%
4%
14%
1
ES
4%
0%
91%
1%
5%
4
GO
4%
0%
90%
2%
4%
33
MA
20%
6%
59%
10%
5%
33
MG
4%
0%
89%
1%
6%
59
MS
4%
0%
92%
1%
3%
36
MT
19%
5%
70%
5%
2%
89
PA
51%
10%
23%
9%
6%
127
PB
1%
0%
89%
4%
6%
6
PE
4%
0%
85%
4%
7%
10
PI
10%
1%
82%
5%
3%
25
PR
5%
0%
85%
2%
8%
20
RJ
14%
0%
73%
1%
12%
4
RN
1%
0%
82%
9%
7%
5
RO
45%
11%
34%
8%
2%
25
RR
62%
17%
14%
5%
2%
22
RS
2%
0%
89%
1%
7%
27
SC
4%
0%
86%
1%
9%
10
SE
1%
0%
83%
7%
8%
2
SP
8%
0%
81%
1%
10%
25
TO
15%
5%
73%
4%
4%
29
BR
27%
10%
53%
5%
5%
850

Mapa da malha fundiária do Brasil


Fonte: Imaflora