domingo, 24 de setembro de 2017

ESCRAVIDÃO MODERNA E O TRABALHO INFANTIL

Escravidão moderna afeta 40 milhões de pessoas no mundo; trabalho infantil atinge 152 milhões


Uma nova pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Fundação Walk Free, em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), revela a verdadeira escala da escravidão moderna em todo o mundo.
Os dados, lançados nesta terça-feira (19) durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque, mostram que mais de 40 milhões de pessoas foram vítimas da escravidão moderna em 2016 globalmente. Além disso, a OIT também lançou uma nova estimativa de que cerca de 152 milhões de crianças entre 5 e 17 anos foram submetidas ao trabalho infantil no mesmo ano.
Menino é vítima de trabalho forçado no Paquistão. Foto: OIT/M.Crozet
Uma nova pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Fundação Walk Free, em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), revela a verdadeira escala da escravidão moderna em todo o mundo. Os dados, lançados nesta terça-feira (19) durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque, mostram que mais de 40 milhões de pessoas foram vítimas da escravidão moderna em 2016 globalmente. Além disso, a OIT também lançou uma nova estimativa de que cerca de 152 milhões de crianças entre 5 e 17 anos foram submetidas ao trabalho infantil no mesmo ano.
As novas estimativas mostram que as mulheres e as meninas são as mais afetadas pela escravidão moderna, chegando a quase 29 milhões ou 71% do total. As mulheres representam 99% das vítimas do trabalho forçado na indústria comercial do sexo e 84% dos casamentos forçados.
A pesquisa revela que, entre as 40 milhões de vítimas da escravidão moderna, cerca de 25 milhões foram submetidas a trabalho forçado e 15 milhões foram forçadas a se casar.
O trabalho infantil continua concentrado principalmente na agricultura (70,9%). Um em cada cinco trabalhadores infantis trabalha no setor de serviços (17,1%), enquanto que 11,9% dos trabalhadores infantis trabalham na indústria.
“A mensagem que a OIT está enviando hoje – junto com nossos parceiros da Aliança 8.7 – é muito clara: o mundo não estará em posição de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a menos que aumentemos de maneira dramática os nossos esforços para combater esses problemas. Essas novas estimativas globais podem ajudar a moldar e desenvolver intervenções para prevenir o trabalho forçado e o trabalho infantil”, disse o diretor-geral da OIT, Guy Ryder.
“O fato de que, como sociedade, ainda tenhamos 40 milhões de pessoas na escravidão moderna é uma vergonha para todos nós. Se considerarmos os resultados dos últimos cinco anos, para os quais coletamos dados, 89 milhões de pessoas tiveram alguma experiência de escravidão moderna, por períodos de tempo que variam de alguns dias a cinco anos. Isso fala diretamente com a discriminação e a desigualdade enraizadas profundamente em nosso mundo atual, associadas a uma tolerância chocante da exploração. Isso precisa parar. Todos nós temos um papel a desempenhar na mudança dessa realidade – empresas, governos, sociedade civil, cada um de nós”, afirmou o presidente e fundador da Fundação Walk Free, Andrew Forrest.

Sobre os dados

As novas estimativas globais são um esforço coletivo dos membros da Aliança 8.7, a parceria mundial para acabar com o trabalho forçado, a escravidão moderna, o tráfico de pessoas e o trabalho infantil, que reúne parceiros-chave representando governos, organizações das Nações Unidas, setor privado, organizações de empregadores e trabalhadores e sociedade civil, a fim de atingir a Meta 8.7 da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável.
Os dados estão publicados em dois relatórios:
– Estimativas Globais da Escravidão Moderna: trabalho forçado e casamento forçado, elaborado em conjunto pela OIT e pela Fundação Walk Free, em parceria com a OIM;
– Estimativas Globais de Trabalho Infantil: resultados e tendências 2012-2016, elaborado pela OIT.
Os dados estão disponíveis em www.alliance87.org/2017ge.

Notas aos Editores

Escravidão moderna
Existem cerca de 40 milhões de pessoas presas na escravidão moderna. Mulheres e meninas são afetadas desproporcionalmente, chegando a quase 29 milhões ou 71% do total. Uma em cada quatro vítimas da escravidão moderna são crianças (cerca de 10 milhões). Por volta de 37% (ou 5,7 milhões) das pessoas forçadas a casar eram crianças.
Trabalho forçado
Cerca de 25 milhões de pessoas estavam em situação de trabalho forçado em qualquer momento em 2016. Fora isso, 16 milhões de pessoas estavam em situação de exploração de trabalho forçado no setor privado, como trabalho doméstico, construção e agricultura. Além disso, cerca de 5 milhões de pessoas estavam em situação de exploração sexual forçada, e pouco mais de 4 milhões de pessoas (ou 16% do total) estavam em situação de trabalho forçado imposto por autoridades de governos.
Casamento forçado
Estima-se que 15,4 milhões de pessoas viviam em casamentos forçados em qualquer momento de 2016. Desse total, 6,5 milhões de casos ocorreram nos últimos cinco anos (de 2012 a 2016). O restante começou antes desse período, mas continuou durante ele. Mais de um terço de todas as vítimas do casamento forçado eram crianças no momento em que se casaram, e quase todas essas crianças vítimas eram meninas.
Trabalho infantil
Um total de 152 milhões de crianças — 64 milhões de meninas e 88 milhões de meninos — estão sujeitas ao trabalho infantil, representando quase uma em cada dez crianças no mundo. O maior número de crianças de 5 a 17 anos envolvidas em trabalho infantil foi encontrado na África (72,1 milhões), seguida da Ásia e do Pacífico (62 milhões), das Américas (10,7 milhões), da Europa e da Ásia Central (5,5 milhões) e dos Estados Árabes (1,2 milhões).
Aproximadamente um terço das crianças de 5 a 14 anos envolvidas em trabalho infantil estão fora do sistema educacional. Além disso, entre as crianças que realizam trabalhos perigosos, 38% das que têm de 5 a 14 anos e quase dois terços das que têm de 15 a 17 anos trabalham mais de 43 horas por semana.

Sobre a Aliança 8.7

A Aliança 8.7 é uma parceria global estratégica comprometida com a conquista da Meta 8.7 da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, que pede ao mundo para “tomar medidas imediatas e eficazes para erradicar o trabalho forçado, acabar com a escravidão moderna e o tráfico de pessoas, e assegurar a proibição e eliminação das piores formas de trabalho infantil, incluindo recrutamento e utilização de crianças-soldado, e até 2025 acabar com o trabalho infantil em todas as suas formas”.
Além da Meta 8.7, a Aliança 8.7 também procura atingir outras Metas relacionadas (5.2, 16.2, 16.3 e 16.a), através do alinhamento de esforços globais, regionais e nacionais, da aceleração de cronogramas, do compartilhamento de conhecimento, e do impulsionamento da inovação e de recursos.

Sobre a Organização Internacional do Trabalho (OIT)

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) é a agência das Nações Unidas para o mundo do trabalho. Ela estabelece as normas internacionais do trabalho, promove os direitos no trabalho e encoraja oportunidades de emprego decente, além do aprimoramento da proteção social e do fortalecimento do diálogo sobre questões relacionadas ao trabalho. A OIT tem uma estrutura única, reunindo governos, representantes de empregadores e trabalhadores. Foi fundada em 1919 e tem 187 Estados-membros.

Sobre a Fundação Walk Free

A Fundação Walk Free é uma organização internacional de direitos humanos fundada por Andrew e Nicola Forrest. Ela luta pelo fim da escravidão moderna no mundo. A Fundação fornece as informações e capacidades necessárias para os países combaterem a escravidão em suas jurisdições. A Fundação Walk Free trabalha com governos (Global Slavery Index), empresas/corporações (Bali Process Business Forum) e religiões mundiais (Global Freedom Network).

Sobre a Organização Internacional para Migração (OIM)

Fundada em 1951, a OIM é a agência de migração das Nações Unidas. Ela é a principal organização intergovernamental no campo da migração e trabalha em estreita colaboração com parceiros governamentais, intergovernamentais e não governamentais. Com 166 Estados-membros e outros oito Estados que possuem status de observadores, além de escritórios em mais de 100 países, a OIM dedica-se a promover a migração humana e ordenada em benefício de todos. Ela faz isso fornecendo serviços e recomendações aos governos e aos migrantes.

Contatos para a imprensa

Organização Internacional do Trabalho (OIT)
• Escritório da OIT no Brasil: Ana Paula Canestrelli, canestrelli@ilo.org /tel +55 (61) 2106-4625.
• Departamento de Comunicação e Informação Pública da OIT em Genebra: newsroom@ilo.org / tel + 4122 799-7912.
Walk Free Foundation: Martina Ucnikova, mucnikova@minderoo.com.au /tel +61 428 997 881.
Organização Internacional para Migração (OIM): Leonard Doyle, ldoyle@iom.int /tel: +41 79 285 71 23.
Fonte : ONUBR

MAIOR CRISE MIGRATÓRIA DESDE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL


Na Assembleia Geral das Nações Unidas, presidentes e ministros europeus discursaram em favor de formas estruturadas e justas de prevenção de conflitos. As preocupações em comum foram os ataques terroristas e a ameaça do uso de armas nucleares.
Diante da maior crise migratória desde a segunda guerra mundial, os líderes pediram tratamento humano para centenas de milhares de refugiados que chegam ao continente, bem como a gestão ordenada dos fluxos de migrantes.
Durante o debate geral da Assembleia Geral das Nações Unidas, iniciado na última terça (19), presidentes e ministros europeus discursaram em favor de formas estruturadas e justas de prevenção de conflitos. As preocupações em comum foram os ataques terroristas e a ameaça do uso de armas nucleares.
Diante da maior crise migratória desde a segunda guerra mundial, os líderes pediram tratamento humano para centenas de milhares de refugiados que chegam ao continente, bem como a gestão ordenada dos fluxos de migrantes.
No segundo dia do debate de alto nível da Assembleia Geral, na quarta (20), o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, ressaltou que a ONU deve aumentar o enfrentamento de muitos desafios globais, incluindo o deslocamento forçado e o terrorismo.
Tusk disse que a União Europeia (UE) continuará recebendo pessoas que precisam de proteção. Ele fez ainda um apelo à comunidade internacional para assumir a responsabilidade pela proteção dos refugiados e pela migração irregular.
“O seu envolvimento é necessário agora, tanto em termos de dinheiro para assistência humanitária como para mais reassentamento para os deslocados por conflitos na Síria, no Iêmen, em Mianmar e especialmente em toda a África”, disse ele à Assembleia.
No contexto de repetidos ataques terroristas, ele ressaltou a necessidade de um fortalecimento constante da luta global contra o extremismo violento, inclusive em um movimento contra a radicalização.
Ele reiterou o seu pedido aos líderes muçulmanos do mundo para se manterem fortes contra o extremismo islâmico, como um verdadeiro apoio na luta contra o terrorismo. “Em resumo”, o presidente disse que “devemos estar mais determinados do que eles”.

Espanha

“Grandes deslocamentos de pessoas atingiram níveis sem precedentes nos últimos anos”, disse o ministro espanhol das Relações Exteriores, Alfonso María Dastis Quecedo, na 72º sessão da Assembleia Geral.
Em um discurso abrangente, abordando as principais crises mundiais, bem como o desenvolvimento e as mudanças climáticas, Dastis expressou “a sincera gratidão do povo da Espanha pelas várias manifestações sinceras de apoio e carinho que recebemos de todos os lados do mundo” após o ataque terrorista do mês passado, em Barcelona.
“O terrorismo será vencido através da unidade, da perseverança e do peso total da lei”, disse ele.

Luxemburgo

O ministro das Relações Exteriores de Luxemburgo, Jean Asselborn, disse que a ONU é o lugar apropriado para enfrentar o fenômeno da migração em massa.
“As causas são múltiplas: pressões demográficas, mudanças climáticas, conflitos, catástrofes humanitárias. Motivação econômica perfeitamente respeitável, tanto no país de origem quanto na do destino também são muitas vezes a causa desse movimento”, acrescentou.
Ele também pediu aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU que renunciem ao uso do veto em casos de atrocidades em massa, como genocídios, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Dinamarca

Também discursou na Assembleia Geral da ONU na última quarta (20), Ulla Tøernæs, ministra da Cooperação para o Desenvolvimento da Dinamarca. Ela destacou as ameaças e os desafios “cada vez mais interligados” que a comunidade internacional enfrenta, incluindo deslocamentos e migração irregular, bem como violações dos direitos humanos e conflitos armados.
Para ela, é necessária uma liderança e um propósito comum para orientar a ONU para romper o status quo e reformar seu sistema. “Permanecer no caminho atual não é uma opção se quisermos manter a legitimidade das Nações Unidas. A reforma fundamental e ambiciosa é o único caminho a seguir”, afirmou Tøernæs.

Finlândia

Em seu discurso, o presidente da Finlândia, Sauli Niinisto, parabenizou o foco do secretário-geral na prevenção de conflitos, defendendo que as populações marginalizadas tenham voz nos processos de paz. “Mulheres, crianças e adolescentes muitas vezes pagam o preço mais alto em conflitos, mas também podem ajudar a pavimentar uma saída para a crise”, disse ele à Assembleia.
Em relação à Coreia do Norte, Niinisto classificou o programa de armas nucleares desse país como “uma ameaça para a paz e a estabilidade globais”, que deve ser interrompido. Ao salientar a importância da continuação da unidade do Conselho de Segurança, ele ressaltou: “Esse comportamento não pode ser tolerado pela comunidade internacional”.
Niinisto expressou ainda sua forte convicção de que os desafios e ameaças globais sejam abordados pela comunidade mundial. “A paz e a segurança, os direitos humanos e o desenvolvimento pertencem a todos nós. Só juntos podemos fazer deste mundo um lugar melhor”, concluiu.

Bulgária

O presidente da Bulgária, Rumen Radev, enfatizou que seu país apoia uma onda de diplomacia pela paz que coloca a prevenção como uma prioridade geral. “A prevenção e a mediação são meios essenciais para reduzir o sofrimento humano, incluindo abordar as causas profundas dos deslocamentos forçados, reunir esforços humanitários, de desenvolvimento e de consolidação da paz”, afirmou.
O presidente destacou que os conflitos armados em muitas partes do mundo continuaram a minar a paz e os valores humanos, afirmando que “os conflitos prolongados exigem uma resposta holística da ONU que abrange a diplomacia preventiva, a mediação, a consolidação da paz e as missões políticas especiais efetivas”.

Holanda

Para o primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, os problemas que o mundo enfrenta hoje, como as mudanças climáticas, a migração, o terrorismo e os crimes cibernéticos, são, por definição, internacionais. “Nenhum país pode abordá-los isoladamente. Nós precisamos um do outro. (…) Neste mundo turbulento, a importância da ONU cresce todos os dias”, disse ele à Assembleia.
O primeiro-ministro disse que “a cooperação é fundamental” quando se trata de prevenir o terrorismo e que a ONU é o principal fórum de cooperação internacional. Como um bom exemplo de cooperação, ele apontou para o Fórum Global de Contraterrorismo, dizendo que seu trabalho “não é de alto perfil – a maior parte do que acontece nos bastidores – mas poupa muitas vidas”.
A prevenção de conflitos se vincula com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que ele chama de “agenda de prevenção final” como “eles abordam os motivadores e as causas profundas da instabilidade e do conflito”.
“Investir na dignidade humana, erradicar a pobreza, promover a resiliência climática e promover o progresso econômico e social reduzirá a incidência de conflitos, instabilidade e desespero. Desenvolvimento e paz duradoura – tudo em um pacote”, afirmou Rutte.
Fonte : ONUBR

IÊMEN : VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS

Assessor da ONU sobre genocídio alerta para situação no Iêmen; 7 milhões estão à beira da fome


Representantes das Nações Unidas expressaram preocupação com as contínuas alegações de graves abusos contra os direitos humanos no Iêmen. Os relatórios revelam mortes em massa de civis – incluindo crianças –, cometidas por todas as partes em conflito. A ONU pediu um mecanismo de investigação dos crimes cometidos.
Criança corre entre edifícios danificados por ataques aéreos em Sa'ada, no Iêmen. Até agosto de 2015, a área abrigava o mercado mais antigo da cidade, com milhares de pessoas vendendo alimentos, especiarias e tecidos em lojas e barracas de rua. Foto: OCHA/Giles Clarke
Criança corre entre edifícios danificados por ataques aéreos em Sa’ada, no Iêmen. Até agosto de 2015, a área abrigava o mercado mais antigo da cidade, com milhares de pessoas vendendo alimentos, especiarias e tecidos em lojas e barracas de rua. Foto: OCHA/Giles Clarke
Representantes das Nações Unidas expressaram preocupação com as contínuas alegações de graves abusos contra os direitos humanos no Iêmen. Os números revelam mortes em massa de civis – incluindo crianças –, cometidas por todas as partes em conflito.
De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), o total de vítimas civis verificadas desde março de 2015 é de 13.920, incluindo 5.159 pessoas mortas e 8.761 feridas.
Os números reais provavelmente serão “muito maiores”, disse o escritório, observando que os ataques aéreos da coalizão são a principal causa de baixas civis, inclusive de crianças.
Além disso, a ONU estima que 17 milhões de pessoas sofrem com a insegurança alimentar, incluindo 7 milhões à beira da fome. O aumento sem precedentes da epidemia de cólera atingiu mais de 690 mil casos suspeitos, com 2.090 mortes associadas – o maior foco em um único ano.
“Pedimos à comunidade internacional – e particularmente ao Conselho de Segurança e ao Conselho de Direitos Humanos – que tome medidas para acabar com a carnificina e remediar essa crise causada pelo homem”, disse o assessor especial da ONU sobre Prevenção de Genocídios, Adama Dieng, e o assessor especial da ONU para a Responsabilidade de Proteger, Ivan Šimonovic, em um comunicado divulgado na terça-feira (19).
“A comunidade internacional tem uma responsabilidade moral e legal em apoiar a responsabilização no Iêmen. Ela deve estabelecer imediatamente um mecanismo internacional imparcial para investigar de forma abrangente as alegações de graves abusos e violações dos direitos humanos e acabar com a impunidade. Esses crimes foram cometidos por todas as partes no conflito e suas forças aliadas.”
“Os agressores devem ser punidos e a justiça deve ser feita para as vítimas. Compete à comunidade internacional deter o sofrimento que está sendo infligido à população iemenita”, disseram os assessores.
Para o ACNUDH é “muito perturbador” que civis, incluindo crianças, continuem a ser mortos em ataques levados a cabo por comitês populares afiliados aos rebeldes xiitas houthis e a unidades do exército leais ao ex-presidente Ali Abdullah Saleh, bem como à coalizão saudita.
Na última semana, o escritório confirmou a morte de três crianças, além de outras sete que ficaram feridas em ataques das forças Houthi/Saleh, na cidade de Taizz, distrito de Salah. Um ataque aéreo da coalizão no município de Ma’rib matou mais cinco crianças e sete adultos.
Esses são apenas os últimos de uma série de incidentes que demonstram “o impacto horrível em crianças e famílias e em todos os civis, da guerra brutal em curso”, disse o porta-voz do ACNUDH, Rupert Colville, a repórteres em Genebra.
“Mais uma vez, pedimos a todas as partes envolvidas para que cessem todos os ataques indiscriminados e tomem todas as precauções possíveis para distinguir adequadamente objetos militares de objetos civis, garantindo que os ataques nunca sejam dirigidos [a civis]”, disse Colville.
Fonte : ONUBR

RENCA : OURO DE TOLO

Ouro de tolo: RENCA e o futuro da Amazônia, artigo de Carlos Eduardo Frickmann Young


RENCA
Mapa: MME
Após forte pressão popular, o Governo Federal revogou o decreto que abriria à exploração a Reserva Nacional do Cobre e Associados (RENCA), uma área de 4,7 milhões de hectares no Nordeste da Amazônia que representa a última grande fronteira mineral no Brasil. Não constava no decreto alterações nos limites das unidades de conservação e terras indígenas já existentes na região, contudo, o estímulo direto para uma atividade de elevado impacto ambiental traria danos importantes para os importantes remanescentes florestais da região, inclusive em áreas protegidas.
O objetivo seria expandir receitas para financiar desequilíbrios macroeconômicos e incentivar a expansão de atividades que, embora altamente lucrativas em termos privados, geram elevados custos sociais e ambientais. Essa decisão foi tomada sem debate com a sociedade, por um governo marcado por sucessivos escândalos e contra parecer técnico do Ministério do Meio Ambiente. Seriam incentivadas atividades de mineração que pouco contribuem para a inclusão social, pois geram poucos empregos locais. Além das áreas afetadas diretamente pela lavra, a mineração também pediria a construção de vias para escoamento mineral, com grande impacto em áreas de floresta hoje altamente preservada. A chegada dos trabalhadores para a construção dessas vias traz doenças e outros problemas associados a esse tipo de projeto: violência, alcoolismo, prostituição e ruptura de estruturas sociais nas comunidades estabelecidas (ao contrário do que se pensa, a área em questão não é um território vazio de gente).
Isso explica porque o projeto recebeu tantas críticas, justamente quando a cúpula política se esforça no Congresso Nacional para reduzir ao máximo as salvaguardas legais do licenciamento ambiental. O péssimo histórico do setor mineral tampouco ajuda, como revelado pelo gigantesco passivo para a sociedade deixado pelo acidente da mineradora Samarco em Mariana (MG) em 2015, reflexo da péssima qualidade de sua gestão ambiental.
Tudo isso caracteriza o modelo de re-primarização da economia brasileira, cada vez mais dependente da agropecuária e mineração: a competitividade é baseada no acesso barato a matérias-primas e energia e na desconsideração dos custos socioambientais. Esse “garimpo” de recursos naturais reforça a exclusão social, com benefícios concentrados em um grupo pequeno de pessoas, mas a degradação ambiental é deixada para todos. O problema é agravado pela redução contínua de recursos orçamentários destinados à proteção ambiental, tornada cada vez menos efetiva após sucessivos cortes orçamentários.
O setor privado resiste a adotar medidas de internalização dos custos socioambientais, especialmente nos segmentos intensivos em recursos naturais, como mineração e agropecuária, e atividades intensivas em energia e poluição. A visão (falaciosa) de que crescimento econômico e preservação ambiental são essencialmente antagônicos ainda prevalece junto aos tomadores de decisão. Em analogia à “teoria do bolo” que argumentava que a concentração de renda era necessária para o crescimento econômico, pode-se dizer que o princípio norteador da re-primarização é “preciso sujar o bolo para ele crescer; depois a gente limpa”.
Também há perdas econômicas. O último ciclo expansivo de aumento dos preços das commodities ocultou a tendência de longo prazo do comportamento dos termos de troca, mas no período recente é nítido que as commodities voltaram a um comportamento descendente em comparação com os produtos intensivos em tecnologia. Não há luz no fim da mina.
Por isso, a exploração de minérios na RENCA não pode ser pensada de forma isolada, mas como mais um elemento do retrocesso no desenvolvimento brasileiro. Sob o argumento de resolver os problemas de curto prazo, voltamos aos ciclos coloniais de dependência de exportação de produtos primários, criando grandes passivos sociais e ambientais que cobrarão seu custo mais a frente. A conta, mais uma vez, vai ser deixada para as gerações futuras pagarem.
* Carlos Eduardo Frickmann Young é professor do Instituto de Economia da UFRJ, onde coordena o Grupo de Economia do Meio Ambiente (www.ie.ufrj.br/gema), e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/09/2017

MORTES POR SUICÍDIO NO BRASIL

Cerca de 11 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no Brasil


ABr
arte suicídio
Cerca de 11 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no Brasil. De acordo com o primeiro boletim epidemiológico sobre suicídio, divulgado ontem (21) pelo Ministério da Saúde, entre 2011 e 2016, 62.804 pessoas tiraram suas próprias vidas no país, 79% delas são homens e 21% são mulheres. A divulgação faz parte das ações do Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção ao suicídio.
A taxa de mortalidade por suicídio entre os homens foi quatro vezes maior que a das mulheres, entre 2011 e 2015. São 8,7 suicídios de homens e 2,4 de mulheres por 100 mil habitantes.
Para a diretora do Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis e Promoção da Saúde, Fátima Marinho, esse número é maior pois há uma perda de diagnóstico dos casos de suicídio. Segundo ela, nas classes sociais mais altas há um tabu sobre o tema, questões relacionadas a seguros de vida e diagnósticos feitos por médicos da família. “As pessoas mais pobres, em geral, captamos a morte porque ele vai pro IML [Instituto Médico Legal]”, explicou.
Das 1,2 milhão de mortes, em 2015, 17% tiveram causa externa. Dessas 40% são registradas por causas não determinadas, segundo Fátima. “Ainda tem 6% de mortes que ainda não conseguimos chegar na causa. São cerca de 10 mil mortes que foram por causa externa, violenta, mas não sabe porquê. Por isso temos esse subdiagnostico do suicídio”, disse.
No Brasil, os idosos, de 70 anos ou mais, apresentaram as maiores taxas, com 8,9 suicídios para cada 100 mil habitantes, mas, segundo Fátima, em números absolutos, a população idosa vem aumentando. Além disso, eles sofrem mais com doenças crônicas, depressão e abandono familiar. Ela explica que esse índice alto de suicídio entre idosos é observado no mundo todo.
Os dados apontam que 62% dos suicídios foram causados por enforcamento. Entre os outros meios utilizados estão intoxicação e arma de fogo. Fátima conta que nos Estados Unidos são registrados mais suicídios por armas de fogo porque o acesso é mais facilitado.
A proporção de óbitos por suicídio também foi maior entre as pessoas que não têm um relacionamento conjugal, 60,4% são solteiras, viúvas ou divorciadas e 31,5% estão casadas ou em união estável. “E os homens casados se suicidam menos. O casamento é um fator de proteção para os homens e de risco para as mulheres”, disse Fátima, explicando que existe uma associação das tentativas de suicídio das mulheres com a violência intradomiciliar. Ela compara que as mulheres tentam mais e, por outro lado, os homens anunciam menos, mas são os que mais morrem por suicídio.
Entre 2011 e 2015, a taxa de mortalidade por suicídio no Brasil foi maior entre a população indígena, sendo que 44,8% dos suicídios indígenas ocorreram na faixa etária de 10 a 19 anos. A cada 100 mil habitantes são registrados 15,2 mortes entre indígenas; 5,9 entre brancos; 4,7 entre negros; e 2,4 morte entre os amarelos.
Para Fátima, o alto risco de suicídio entre jovens indígenas compromete o futuro dessas populações, já que elas também há um alto risco de mortalidade infantil.
Segundo a secretaria especial de Saúde Indígena, Lívia Vitenti, existe um número alto de indígenas em sofrimento por uso álcool, disputas territoriais e conflitos com a família e com a população não indígena. Entre os jovenes, então, há falta de perspectivas de vida. Entretanto, o problema do suicídio indígenas não está distribuído por todo o território, sendo mais frequente entre os Guarani Kaiowá, Carajás e Ticunas.
Tentativas de suicídio
As notificações de lesões autoprovocadas tornaram-se obrigatórias a partir de 2011 e elas seguem aumentando. Entre 2011 e 2016, foram notificadas 176.226 lesões autoprovocadas; 27,4% delas, ou seja, 48.204, foram tentativas de suicídio.
As tentativas de suicídios são mais frequentes em mulheres. Das 48.204 pessoas que tentaram tirar a própria vida entre 2011 e 2016, 69% era mulheres e 31% homens. A proporção de tentativas de suicídio, de caráter repetitivo também é maior entre as mulheres. Entre 2011 e 2016, daqueles que tentaram suicídio mais de uma vez, 31,3% são mulheres e 26,4 são homens.
O meio mais utilizado nas tentativas de suicídio foi por envenenamento, 58%. Seguido de objeto pérfuro-cortante, 6,5%; enforcamento, 5,8%.
Fatores de risco e proteção
Entre os fatores de risco para o suicídio estão transtornos mentais, como depressão, alcoolismo, esquizofrenia; questões sociodemográficas, como isolamento social; psicológicas, como perdas recentes; e condições incapacitantes, como lesões desfigurantes, dor crônica e neoplasias malignas. No entanto, o Ministério da Saúde ressalta que tais aspectos não podem ser considerados de forma isolada e cada caso deve ser tratado de forma individual.
Segundo o Ministério da Saúde, a existência de um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) no município reduz em 14% o risco de suicídio. Na análise feita, é o único fator de proteção ao suicídio. Fátima ressalta, entretanto, que é preciso uma melhor distribuição desses centros, principalmente nas áreas com mais concentração de suicídios. Existem hoje no Brasil 2.463 Caps em funcionamento.
Como a ocorrência de suicídio é grande entre os indígenas, ser indígena por si só já é um fator de risco, explicou Fátima. Pessoas que trabalham na agropecuária, que tem acesso a pesticidas, também são vulneráveis a cometerem suicídio por intoxicação.
Os casos acontecem em quase todo país, mas Região Sul concentrou 23% dos suicídios, entre 2010 e 2015. Segundo Fátima, alto nível de renda, pouca desigualdade social e baixo índices de pobreza são características de municípios que concentram mais suicídios.
Ela explica, entretanto que, no caso da Região Sul, existe a associação dos casos de suicídio com a agricultura, especificamente a cultura da folha do tabaco. Segundo Fátima, a folha verde do fumo pode causar uma intoxicação neurológica em quem mantém um contato muito próximo, “o efeito dessa intoxicação é chamada bebedeira da folha verde do fumo”.
Além disso, o pesticida usado nessa cultura contém manganês, que é absorvido e depositado no sistema nervoso central. Fátima ressalta, entretanto, que esta é uma associação e que ainda não existe o nexo causal entre esse tipo de pesticida e os casos de suicídio.
“Então temos o risco ocupacional e a pressão social e econômica em cima de agricultores familiares. É uma exposição conjunta”, disse a diretora. Ela explicou que as políticas de incentivo para a diversificação das culturas no sul do país não tiveram um impacto importante pois o tabaco ainda é muito lucrativo.
Além da Região Sul e de áreas indígenas, esse levantamento trouxe novas áreas com altas taxas de suicídio, que são a região da divisa de São Paulo e Minas Gerais e o estado do Piauí. Segundo Fátima, esses locais ainda precisam ser mais estudos, mas também há uma associação ao uso de pesticidas e a agricultura.
Agenda global
Mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida por ano no mundo. Por isso, em 2013, a Organização Mundial da Saúde desenvolveu um plano de ações em saúde mental que pretende reduzir em 10% da taxa de suicídio até 2020.
O coordenador de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, Quirino Cordeiro, disse que o governo promovia ações na área de prevenção ao suicídio, mas agora que está começando a fazer uma política focada no tema. Uma das ações estratégicas é a construção do Plano Nacional de Prevenção ao Suicídio, para ampliar as ações para as populações vulneráveis.
Segundo ele, o Ministério da Saúde quer expandir a rede de CAPS, inclusive entre a população indígena, além de outras estratégias de cuidados na saúde mental. É importante ainda cruzar os mapas para identificar possíveis associações de causas de suicídios, como a associação com pesticidas. Outros órgãos e ministérios serão convidados para apoiar futuras ações.
Quirino explica que as políticas de prevenção ao suicídio devem focar em dois fatores, nos transtornos metais e nos meios de suicídio. “Sabemos que entre os vários fatores para o suicídio existe a presença do transtorno mental não tratado de maneira apropriado, então ter políticas públicas focadas nesses transtornos é importante”, disse.
Outra frente de ações é o controle de meios para o suicídio, segundo Quirino, que tem um impacto importante na redução dessas mortes. “Muitas vezes quem comete suicídio está passando por problemas graves e acaba fazendo uma tentativa por desespero. Mas se não tem à mão um método, muitas vezes aquele momento passa e a pessoa não efetiva”, disse, explicando que o controle de armas é importante no Brasil, por exemplo, pois onde se restringe o acesso a armas, se reduz os casos de suicídio.
Acordo com o CVV
O Ministério da Saúde, desde 2015, tem uma parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV), que começou com um projeto-piloto no Rio Grande do Sul. O CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail, chat e voip 24 horas todos os dias.
O objetivo da parceria é ampliar gradualmente a gratuidade de ligações para o CVV, mesmo que por celular, por meio do número 188. Além do Rio Grande do Sul, a partir de 1º de outubro, pessoas de mais oito estados poderão ligar gratuitamente para o serviço: Acre, Amapá, Mato Grosso do Sul, Piauí, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Rondônia e Roraima.
De acordo com o Ministério da Saúde, 21% da população brasileira reside nos nove estados a serem atendidos gratuitamente pelo CVV, o que garante uma ampla cobertura. O acordo já ampliou o número de atendimentos, de 4,5 mil em setembro de 2015, para 58,8 mil em agosto de 2017. Até 2020 todo o território nacional poderá contar com o atendimento pelo 188.
No restante dos estados, o CVV ainda atende pelo número 141 ou diretamente no posto regional. Em cidades sem posto de atendimento do CVV, as pessoas podem utilizar o atendimento por chat, skype e e-mail disponíveis na página do CVV.
boletim epidemiológico sobre suicídio está disponível na página do Ministério da Saúde. A pasta também disponibiliza materiais de orientação para jornalistas, profissionais de saúde e população geral.
Por Andreia Verdélio, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/09/2017

ÁRTICO E A SUA DIMINUIÇÃO DE GELO

Nível de gelo no Ártico em 2017 é a oitavo menor da história; Há 16 anos a região não atinge nível acima da média


Ártico
Setembro é o mês em que a extensão de gelo no Ártico atinge seu nível mínimo. © WWF / Sindre Kinnerød
WWF
Mesmo com metas globais, região ainda sofrerá aquecimento de 3,5º a 5º C
O mês de setembro é a época em que o Ártico atinge sua extensão mínima anual de gelo. Os resultados de 2017, que acabam de ser divulgados e estão bem abaixo da média histórica, são uma oportuna lembrança de que devemos trabalhar com ainda mais empenho para alcançar o objetivo de 1,5º C estabelecido por quase 200 países no Acordo de Paris. Os números do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo dos EUA (NSIDC) mostram que o gelo marinho atingiu um mínimo de 4,64 milhões de quilômetros quadrados em 13 de setembro, 1,58 milhões de km2 abaixo da média. Há 16 anos, o Ártico não registra uma extensão de gelo acima da média de setembro. A marca é a oitava menor da história.
Em nenhum lugar, os efeitos de um clima de aquecimento vêm sendo sentidos de forma mais rápida e mais profunda do que no Ártico. Mesmo que o mundo atenda aos termos do Acordo de Paris, o Ártico ainda deverá aquecer 3° a 5°C a mais, afetando a rica biodiversidade da região e a vida daqueles que dependem disso.
O aquecimento adicional é em grande parte devido a um retorno de resultados. À medida que o aquecimento da água e do ar derretem o gelo do Ártico, o oceano recém-descoberto absorve ainda mais energia solar. O oceano exposto também significa mais transporte marítimo no Ártico, acompanhado de emissões de carbono negro que se instalam no gelo e absorvem ainda mais calor – uma reação desenfreada que está derretendo o Ártico como o conhecemos.
O líder do programa Ártico do WWF, Alexander Shestakov, relembrou as declarações feitas em agosto pelo presidente da Finlândia, Sauli Niinistö, de que se perdermos o Ártico, perdemos o globo: “Isto é a realidade. As emissões, tanto de gases de efeito estufa quanto de carbono negro do aumento do transporte marítimo do Ártico, estão criando uma verdadeira tempestade no Ártico. Exortamos os estados do Ártico e outros a priorizarem a redução das emissões de carbono negro e a cooperarem ainda mais na consecução dos objetivos de Paris”.
Para o líder global da prática climática e energética do WWF, Manuel Pulgar-Vidal, “a tendência contínua de perda de gelo do mar no Ártico mostra que a comunidade global tem muito trabalho a fazer para atingir o objetivo de 1,5° C. É fundamental que possamos trabalhar juntos de forma imediata em soluções já disponíveis para ajudar a reduzir as emissões de dióxido de carbono, expandindo a implantação de energia renovável, no Ártico e em todo o mundo”.
Sobre o Acordo de Paris
O Acordo de Paris, aprovado em dezembro de 2015, compromete quase 200 países a empreenderem todos os esforços para limitar o aumento da temperatura global a 1,5° C e, assim, evitar alguns dos piores impactos de um planeta aquecido.
O ano de 2016 foi o mais quente registrado. No ano passado, a temperatura média global anual subiu para um recorde de 1° C acima dos níveis pré-industriais. Mesmo que possamos parar as emissões hoje sem prejudicar a economia global, as temperaturas continuarão aumentando em alguns décimos de grau nas próximas décadas.
Limitar o aquecimento a um aumento médio de 1,5º C resultaria em uma redução do aumento do nível do mar, ondas de calor tropicais mais curtas e potencialmente menos eventos climáticos extremos, como as devastadoras chuvas e inundações que afetaram recentemente a Índia, Estados Unidos, Bangladesh e Nepal.
Sobre o mínimo de gelo do mar
O gelo do mar do Ártico geralmente atinge sua menor extensão anual em setembro.
A extensão mínima em 2017 é a 8ª mais baixa registrada desde que o monitoramento por satélite começou em 1979.
Após uma série de ondas de calor do Ártico no outono passado, o NSIDC relatou a maior extensão de gelo do mar já registrada em março.
Do WWF-Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/09/2017